Categoria: Tratamento individual

abraço

A CRIANÇA QUE HABITA EM MIM

POR DÉBORA PORTO

Você já parou pra pensar os motivos de tanto apego a alguém, um relacionamento (amoroso, fraternal, de trabalho, amizade e etc) ou algum outro tipo de figura? Você já prestou atenção como as pessoas lidam com essas situações da vida de forma diferente?

O fim de um relacionamento, um ente que falece, um amigo que vai embora, o crescimento de um filho, a relação com um emprego e por aí vai. Algumas têm um comportamento exagerado, outras parecem confusas, superam mais rápido ou dão aquela sensação de que nada os abala. E você fica pensando: porque eu sou assim?

Se tiver continuado a pensar sobre, pode até chegar a conclusão de que: “sempre foi assim. É meu jeito. Sou assim e não vou mudar.” Calma lá. Talvez você “sempre tenha sido assim” mesmo, porém, não é tão simples como pensa.

O QUE ACONTECE NA INFÂNCIA NÃO FICA NA INFÂNCIA

É comum as pessoas pensarem que criança não lembra, quando crescer passa ou era muito pequena (o) pra entender. Acontece que isso não funciona dessa forma. A partir da primeira infância, o indivíduo passa a desenvolver uma relação com o mundo e seus cuidadores e estabelece um comportamento de apego, diretamente influenciado pela maneira que essas pessoas o tratam.

Se isso já acontece quando o indivíduo nasce, quer dizer que é básico? Sim, o apego acontece também por uma necessidade biológica de proteção e segurança. A criança vê seus cuidadores primários como àqueles que lhe poderão recorrer, caso necessite de algo, e estas necessidades serão atendidas. Obviamente aqui são, principalmente, as necessidades básicas.

mãe

MAS EU CRESCI. PASSOU…

Não é bem assim. Com o tempo, o indivíduo começa a internalizar esse padrão de apego e isso irá influenciar seu desenvolvimento cognitivo – representação de mundo, de si e do ambiente. Isso o possibilitará criar representações cada vez mais complexas.

Usarão, por exemplo, o próprio comportamento para interpretar o comportamento de outras pessoas e a maneira como irão interagir , seja uma escolha de parceiros, amizade, profissional, etc. Vale pensar que é necessário estar atento a como essa criança percebe o que se faz com ela e não apenas se dê atenção ao que lhe acontece.

PADRÃO DE APEGO? COMO É ISSO?

Segundo a Teoria do Apego, toda essa construção dependerá da maneira que a criança foi cuidada.

Se o desenvolvimento se deu num ambiente de base segura, onde era encorajado(a) a explorar o ambiente numa relação de cooperação, estando os pais disponíveis em situações de estresse, onde não haja reações exageradas se separadas dos cuidadores, a criança, no caso você, mais se aproxima do padrão seguro com grandes chances de se tornar um adulto livre, autônomo e independente.

Há pessoas com um padrão de apego desapegado/evitativo, que correspondem àquelas que acreditam ser autossuficientes. Podem ter sido, em algum momento, rejeitadas quando mostraram suas necessidades, onde aprenderam a não demonstrá-las mais.

No padrão ambivalente (preocupado/resistente), a pessoa pode apresentar dificuldades em compreender as origens de suas preocupações, principalmente àqueles que tiveram situações difíceis na infância.

Por último, há o padrão desorganizado/desorientado, onde apresentam sinais graves de desorientação e desorganização se questionados sobre eventos traumáticos. Provavelmente, houveram essas situações na infância e o indivíduo cresce sem conseguir manter uma estratégia de enfrentamento adequada.

Em casos de criação abusiva, o desenvolvimento da representação mental desse sujeito se mostra pobre. Isso pode destruir a confiança de que outros podem compreendê-lo, além de evitar se envolver em relacionamentos de apego intenso.

olhares

CRIANÇA CRESCIDA

Nesse momento você deve estar tentando recordar sobre seu passado para saber em qual padrão você está encaixado. Embora esses modelos tendem a ser estáveis e se generalizar pra relações futuras, falamos aqui de probabilidades e toda regra tem sua exceção. Não existe relação determinista ao pensar o ser humano. Se somos seres em construção, estamos em constante transformação.

Em algum momento da adolescência, por exemplo, deverá apresentar-se mais desapegado para que, separando das figuras parentais, possam adquirir sua identidade pessoal. A reformulação sobre esse aspecto primário do apego ocorre a todo tempo, mas nessa fase passa a ter experiências mais complexas, o que serve de ‘modelo’ para a vida adulta.

À MINHA CRIANÇA, COM AMOR

Não se culpe por agir de um jeito ou de outro. Trate a sua criança com amor e respeite-a. Por mais que negue, as experiências passadas formaram quem és hoje, independente de estar ou não onde queria. Também não cabe culpar os cuidadores primários, talvez esse também seja o modelo aprendido por eles.

Compreender a própria história e ir em busca do autoconhecimento faz com que eduque sua criança interior. É através do autocuidado que poderá amar-se e satisfazer as próprias necessidades. Não cabe falar de si, reconhecer-se, e colocar o “poder” de se transformar nas mãos do outro.

Podemos, por vezes, tentar colocar nossa criança para dormir, mas ela nunca morre. E quando é preciso que você seja seguro de si, ela reaparece trazendo características tão imaturas. Buscar a autonomia deve ser uma tendência natural do humano.

abraço

ARRISQUE-SE!

É possível estabelecer relações afetivas sem depender totalmente do outro ou, simplesmente, evitá-los com medo de arriscar. Eventos durante o desenvolvimento humano podem mudar o padrão de apego ao longo da vida.

Entendo que divórcios, acesso à recursos, contexto social, patologias mentais e etc. podem ser situações que transformem, mesmo ‘sem querer’, a própria vida. Mas a partir do momento que você toma consciência de todos os fatores aqui citados, a autoridade em tentar transformar o próprio caminho é totalmente sua.

Lacan, nos ensinamentos psicanalíticos, já dizia que toda demanda é uma demanda de amor. Apesar de se mudar as figuras, há sempre uma expectativa em ser amado, cuidado e olhado de perto, mesmo por àqueles que neguem isso tão veemente.

 

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Obs: Texto inspirado pela Teoria do Apego de John Bowlby.

Referência:

DALBEM, Juliana Xavier; DELL’AGLIO, Débora Dalbosco. Teoria do apego: bases conceituais e desenvolvimento dos modelos internos de funcionamento. Arq. bras. psicol.,  Rio de Janeiro ,  v. 57, n. 1, p. 12-24, jun.  2005 .

Como melhorar a saúde mental das mulheres?

As mulheres estão enfrentando atualmente um paradoxo quando se trata de seu bem-estar. Externamente, eles se destacam em vários campos (educação, esporte, ciência e política), entretanto, os números indicam um aumento dos casos de ansiedade e de depressão.

Então, o que pode ser feito para ajudá-las a se sentir bem consigo mesma? Ou seja, como melhorar a saúde mental das mulheres?

Vivemos em um mundo desafiador, onde a competição pelo “ter” faz com que as mulheres lutem para “ser” figuras socialmente perfeitas (mulher+mãe+profissional+companheira), o que acaba gerando quadros graves de aflição e desconforto psicológico. Cada vez mais estão sendo obrigadas a serem a Mulher-Maravilha da resiliência, tendo que aumentar capacidade de se adaptar aos desafios da vida. Se obrigando a ter flexibilidade, otimismo, competência, gestão emocional e auto-estima elevada.

Mas como enfrentar o medo de não conseguir tal perfeição?

Com certeza, construindo bases que proporcionem uma real coragem mental, intelectual e emocional. E a Terapia Psicológica é um espaço privilegiado onde é possível construir essa base. Uma pessoa corajosa teme o que deve ser temido, mas confia em sua potencialidade quando se autoconhece. A Psicologia entende coragem mental como o comportamento de pensar em novas idéias e ter a coragem de implementá-las enfrentando as consequências, e focando suas energias em pessoas ou em situações realmente relevantes.

Entretanto, a resiliência (conseguida através do início de um processo terapêutico) por si só não impedirá o sofrimento psicológico. É crucial buscar apoio especializado e constante para um maior controle de si mesma. Ao fornecer serviços de saúde mental acessíveis, em conjunto com o foco em impulsionar a adaptação aos desafios da vida moderna, vislumbramos que as mulheres se tornarão mais resilientes e mais saudáveis psicologicamente falando.

Se você nunca fez Terapia ou quer retornar a um atendimento Psicológico. Convidamos a conhecer um dos terapeutas da Innere Psicologia.

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