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Artigos sobre psicologia feitos para você

A INCRÍVEL ARTE DE SER MÃE

POR DÉBORA PORTO

Em regra, 9 meses para ser mãe. Será mesmo esse o tempo que dura uma gestação? Frequentemente encontramos mulheres que desejam exercer a função materna, além daquelas que não desejaram, mas, por ventura, aconteceu. Outras tantas não podem gerar biologicamente ou, simplesmente, decidiram não seguir esse caminho, mas optaram pela adoção.

O fato é: Como já escrevi aqui, falar sobre mulheres, no geral, ainda é um tabu. Quando o assunto é maternidade, não foge à regra. Isso porque entende-se que esta venha com funções pré-determinadas no qual não lhe cabe ser exceção. Várias são as teorias em torno delas, mas entramos em um terreno delicado com tantas sugestões e regras. Cabe, então, pensar mais sobre o único meio de transporte para se chegar à Terra, as mães.

filho

NÃO SÃO SÓ 9 MESES

Decidir pela maternidade demora. Antes de o filho ser gerado, é investido tempo planejando esse sujeito. Através do desejo, cria-se o bebê ideal, sonham acontecimentos quando este nascer dentre outras coisas. Para aquelas que caminham para a adoção, sofrem com a espera que o processo exige, assim como as tentantes, mulheres que vivenciam a angustia e sofrimento a cada resultado negativo.

Todo este processo tem duração indeterminada. Pode durar poucos meses, anos ou vir sem mesmo esperar e durante a gestação continua-se a planejar esse bebê ideal. A cada dia vencido, aumenta-se as expectativas e não se excluem as angústias, visto que a novidade costuma gerar insegurança. Se fôssemos fazer uma pesquisa agora, quantas não se sentiram assustadas, tensas ou nervosas com tantas incertezas que gera uma gravidez/espera pela adoção?

As transformações aqui não param. A sociedade tende a criar uma magia em torno da gestação, como algo perfeito, no qual a mulher deve amar desde o início a idéia de ser mãe, sorrir e exaltar a fase que está vivendo. Nem sempre esta mulher é preparada para lidar com desconfortos, cansaços, etc. e, pior, não encontra espaço de escuta que possibilite o desabafo destas dores.

gravidez

QUANDO NASCE UM FILHO, NASCE UMA MÃE (?)

O bebê nasce ou, finalmente, a adoção começa a se concretizar. Mais uma vez, pouquíssimos te preparam para o puerpério, aquela fasezinha pós-nascimento do bebê. Esse talvez seja o momento de maior ambivalência e solidão. De fato, outro ser se encontra vulnerável e dependente de você e surge a maior das questões “será que eu dou conta?”.

Os palpites surgem de todos os lados, nem sempre há apoio de rede próxima (pai ou outros familiares) e essa mulher precisa desenvolver habilidades que nem ela mesma um dia pensou ser capaz. É aí que se descobre que sim, ela dá conta. Mais que isso, entende que tornar-se mãe é uma construção cotidiana.

Está tudo bem surgirem tantas dúvidas ou não amar instantaneamente seu filho. Amor também é construção. O que esta mulher precisa estar ciente é que ter um filho é uma transição existencial. Não existe fórmula mágica ou tutorial de como ser mãe. Se somos indivíduos, devemos ser respeitados como tal e entender que cada ser trará consigo suas peculiaridades. O modelo vendido socialmente, nesta fase, cai por terra.

SER MÃE DÓI

Como se já não bastasse tantas transformações, quando se trata da relação “mãe-bebê”, pode ser que esta mulher passe por duas fases distintas, caminhando a patologia. A primeira, chamada baby-blues, é quando após o nascimento surgem sintomas de ansiedade, alteração de apetite, vontade de chorar, etc. Decorre, principalmente, das alterações hormonais e cansaço. Esses sintomas costumam desaparecer sozinhos em poucas semanas.

Uma patologia bastante conhecida é a depressão pós-parto que pode até se confundir devido aos sintomas, mas estes costumam durar mais tempo e aparecerem de forma mais severa. Além dos sintomas apresentados, a patologia tende a dificultar a criação de vínculos com o recém-nascido. Se não tratada, pode durar, inclusive, anos.

Aqui ressalto a importância do tratamento psicológico e médico, além do fortalecimento da rede de apoio. Depressão não é frescura. Cabe a sociedade como um todo acolher essa mulher e lhe garantir espaço de fala.

brincadeira

E QUEM É MESMO ESSA MULHER?

A sensação é que ela se perdeu. E é isso mesmo, ela já não é mais a mesma. A pessoa que fazia o que queria a qualquer momento está perdida. Ainda há os desejos, mas deixados em segundo plano. Agora esta mulher se tornou fonte de alimento e segurança para outro ser também desconhecido a ela. Seja um filho proveniente de uma gravidez ou adoção, ressalto.

A maternagem passa a exigir que a mulher abra mão de algumas coisas para o desenvolvimento deste filho. É fase para abrir mão de si. Mistura-se o gozo em ver o novo ser com o vazio de quem foi essa mulher e quem ela está se tornando. Chega o momento da vivência do luto que também pode ser duplo, por si mesma e pelo bebê ideal. Como já citado, nem sempre a criança vem da forma sonhada. Romper com o imaginário também é doloroso. A maternidade é real, o bebê é real. Dois seres desconhecidos e interligados como nunca.

É tempo de redescobertas. Cabe a mulher olhar a própria história vivida e para aquilo que ainda irá viver. Todo dia é dia para simbolizar, internalizar a maternidade e dar-lhe novo significado. As responsabilidades não devem a anular enquanto pessoa, embora as atividades estejam reduzidas. Pensa-se por dois.

mãe e filha

SER MÃE NÃO É PRA QUALQUER UMA

A maternidade é uma decisão. Não são todas as mulheres que estão preparadas para isso. Para aquelas que decidiram prosseguir com essa idéia, cabe ressaltar a importância de um pré-natal psicológico. Um espaço de fala e escuta para se discutir suas angústias, ressignificar e que a preparará para receber este novo membro da família.

Ser mãe é um papel a ser exercido. O que a definirá como tal é construção e manutenção diária de vínculos. Escolher abdicar de si em nome do outro não é tarefa fácil. Talvez alguns filhos não saberão como a fizeram se sentir em determinados momentos. Outras tantas mulheres não tiveram a presença de uma figura materna e hoje se descobrem, aprendendo e ensinando, como ser mãe.

É uma atividade intensa de desconstrução para reconstruir-se novamente. Sejam avós, tias, irmãs, madrinhas, mães biológicas ou do coração… filho é filho e mãe é mãe. Ambos não vêm com manual de instruções. Não existe mãe ideal, mas a melhor versão que essa mulher pode ser.

 

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MUNDO DO TRABALHO – SERIA A VIDA SÓ PAGAR BOLETOS?

Por Débora Porto

Pensando sobre trabalho, vejo muita gente se dedicar anos aos estudos para passar em um concurso, seguir uma carreira dos sonhos, conquistar uma vaga na empresa X que é extremamente reconhecida e quando alcançam, nem sempre conseguem se sentir tão satisfeitas quanto imaginaram. Por um tempo até se sentiram realizadas, podiam bater no peito e dizer que haviam “chegado no topo da cadeia alimentar”, mas já não possuem mais o mesmo brilho de antes.

O que houve? Onde se perdeu nesse caminho? Fui eu quem me perdi ou o caminho sempre foi diferente do que imaginei? Sinto dizer, mas você pode estar adoecendo por causa do trabalho.

sofrimento no trabalho

EXPECTATIVA X REALIDADE

Quando se planeja uma carreira sempre vêm em mente os aspectos positivos que o serviço irá trazer. A sonhada estabilidade, ascensão de cargo, coordenar, chefiar, contribuir para a sociedade como um todo, etc. Pouco se pensa sobre as desvantagens em ocupar um cargo ou o que, de fato, ele pode me trazer. Não é difícil encontrar pessoas que almejam determinado cargo somente pelo salário ou o glamour que determinada profissão irá trazer.

Na prática, nem sempre esse modelo linear sonhado é possível. Começam a aparecer chefias não tão generosas, assédios, relacionamentos interpessoais ligados ao trabalho fracassados, interesses pessoais/políticos colocados à frente, más condições de trabalho, etc. além, é claro, do contexto socioeconômico vivenciado pelo país.

Cai por terra o sonho e a realidade nem sempre é fácil de suportar. Sentimentos de medo, angústia, tristeza e impotência começam a aparecer. Além do mais, a pessoa se vê em posição “sem saída” e se torna difícil colocar na balança os benefícios e desvantagens da permanência no trabalho.

job

PORQUE O TRABALHO?

A sociedade atual atribui valor ao humano por aquilo que ele produz. Por isso, fica cada vez mais evidente a necessidade de estar inserido no mercado, além, claro, das questões práticas (as contas não esperam).

O emprego é visto como fator de inserção social, capaz de identificar o indivíduo como pertencente a um grupo, no qual poderá relacionar-se (amizades e demais aproximações) e atribuir sentido ao próprio ser. O ambiente de trabalho se torna um laboratório da sua maneira de relacionar-se com o mundo. Ora, em regra, se passa ao menos dois turnos do dia inserido nesse ambiente, não é estranho que o mesmo seja tão importante ao sujeito.

Romper com esse modelo ou já não estar ligado a ele produz muito mais que questões práticas, mas uma ruptura simbólica entre o que faz sentido e não possuir a esse lugar. Mais uma vez, cito as questões práticas atreladas ao dinheiro, mas decidir por abandonar ou não um emprego, por exemplo, diz muito de uma necessidade de pertencimento e demais questões subjetivas que precisam ser trabalhadas.

 

ROMPENDO COM O MODELO IDEAL

Um problema recorrente é que nem sempre o perfil do sujeito se encaixa com a vaga/cargo a que deseja ocupar. Habilidades e competências podem ser satisfatórias a curto prazo, mas a longo os prejuízos podem começar a ser maiores. Obviamente não só as características individuais devem ser levadas em consideração, mas, também o clima organizacional no qual está inserido.

Quando ambos os interesses permanecem alinhados, diminui-se os índices de absenteísmo (aquelas faltas injustificadas), adoecimento e sofrimento. Ao menos estes encontrarão espaço e ferramentas para serem trabalhadas.

Outra crescente no mundo atual é o rompimento com o modelo tradicional de trabalho. Cada vez mais as pessoas estão investindo em alternativas que iniciaram em uma brincadeira de criança, uma reunião de amigos e habilidades descobertas ao longo do tempo.

São estas as pessoas que abrem os próprios negócios e vivenciam com rigor e seriedade necessário àquilo que lhe dá prazer. Nem sempre estas pessoas encontram seu espaço, pois o mundo capitalista ainda privilegia alguns seguimentos em detrimento de outros, mas vale à pena repensar os próprios interesses. Perdem-se talentos quando as pessoas assumem o risco em acreditar nos próprios princípios e idéias.

alegria

A VIDA NÃO É SÓ PAGAR BOLETOS

Um fato importante é que muitas pessoas relatam a dificuldade de viver as próprias experiências fora do trabalho. Seja pelo quanto o ofício o consome ou pelo fato de ter resumido suas relações a este. Nós, humanos, precisamos de escapes. Exatamente. Aquela viagem do fim de semana, uma tarde inteira sem fazer nada, uma saída de amigos ou seja lá o que faz sentido para você.

Pode ser que o cansaço o impeça até de encontrar sentido nas coisas, mas cabe a pausa. Pare por um momento antes do que planejou fazer e repense. Redescubra o que de bom/útil/importante esse momento poderá agregar a sua vida.

Respire. Use o tempo que precisar para isso. Você não precisa simplesmente desistir por desistir, mas refletir outras maneiras possíveis de funcionamento que lhe garantam bem-estar dentro de sua ocupação. Não necessariamente você precisará desistir.

Se o fardo estiver pesado demais, observe a rede de apoio que possa recorrer e não tema em acioná-la. Os amigos, a família e os profissionais de saúde podem ajudá-los a encontrar estratégias para lidar com a situação.

Se o caminho encontrado for o de abrir mão da atividade laboral, tudo bem. Romper esse ciclo não é sinônimo de fraqueza, mas representa um ciclo que se fecha para que outro se inicie. Isso se chama recomeços, a depender de seu ponto de vista.

Observar a vida por outra ótica auxilia a viver experiências de forma mais completa. Lembre-se: a vida é feita de momentos, permita-se viver o seu.


A psicoterapia se torna aliada para lidar com essas vivências. Não hesite em nos procurar, afinal, você não precisa enfrentar tudo isso sozinho.

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abraço

A CRIANÇA QUE HABITA EM MIM

POR DÉBORA PORTO

Você já parou pra pensar os motivos de tanto apego a alguém, um relacionamento (amoroso, fraternal, de trabalho, amizade e etc) ou algum outro tipo de figura? Você já prestou atenção como as pessoas lidam com essas situações da vida de forma diferente?

O fim de um relacionamento, um ente que falece, um amigo que vai embora, o crescimento de um filho, a relação com um emprego e por aí vai. Algumas têm um comportamento exagerado, outras parecem confusas, superam mais rápido ou dão aquela sensação de que nada os abala. E você fica pensando: porque eu sou assim?

Se tiver continuado a pensar sobre, pode até chegar a conclusão de que: “sempre foi assim. É meu jeito. Sou assim e não vou mudar.” Calma lá. Talvez você “sempre tenha sido assim” mesmo, porém, não é tão simples como pensa.

O QUE ACONTECE NA INFÂNCIA NÃO FICA NA INFÂNCIA

É comum as pessoas pensarem que criança não lembra, quando crescer passa ou era muito pequena (o) pra entender. Acontece que isso não funciona dessa forma. A partir da primeira infância, o indivíduo passa a desenvolver uma relação com o mundo e seus cuidadores e estabelece um comportamento de apego, diretamente influenciado pela maneira que essas pessoas o tratam.

Se isso já acontece quando o indivíduo nasce, quer dizer que é básico? Sim, o apego acontece também por uma necessidade biológica de proteção e segurança. A criança vê seus cuidadores primários como àqueles que lhe poderão recorrer, caso necessite de algo, e estas necessidades serão atendidas. Obviamente aqui são, principalmente, as necessidades básicas.

mãe

MAS EU CRESCI. PASSOU…

Não é bem assim. Com o tempo, o indivíduo começa a internalizar esse padrão de apego e isso irá influenciar seu desenvolvimento cognitivo – representação de mundo, de si e do ambiente. Isso o possibilitará criar representações cada vez mais complexas.

Usarão, por exemplo, o próprio comportamento para interpretar o comportamento de outras pessoas e a maneira como irão interagir , seja uma escolha de parceiros, amizade, profissional, etc. Vale pensar que é necessário estar atento a como essa criança percebe o que se faz com ela e não apenas se dê atenção ao que lhe acontece.

PADRÃO DE APEGO? COMO É ISSO?

Segundo a Teoria do Apego, toda essa construção dependerá da maneira que a criança foi cuidada.

Se o desenvolvimento se deu num ambiente de base segura, onde era encorajado(a) a explorar o ambiente numa relação de cooperação, estando os pais disponíveis em situações de estresse, onde não haja reações exageradas se separadas dos cuidadores, a criança, no caso você, mais se aproxima do padrão seguro com grandes chances de se tornar um adulto livre, autônomo e independente.

Há pessoas com um padrão de apego desapegado/evitativo, que correspondem àquelas que acreditam ser autossuficientes. Podem ter sido, em algum momento, rejeitadas quando mostraram suas necessidades, onde aprenderam a não demonstrá-las mais.

No padrão ambivalente (preocupado/resistente), a pessoa pode apresentar dificuldades em compreender as origens de suas preocupações, principalmente àqueles que tiveram situações difíceis na infância.

Por último, há o padrão desorganizado/desorientado, onde apresentam sinais graves de desorientação e desorganização se questionados sobre eventos traumáticos. Provavelmente, houveram essas situações na infância e o indivíduo cresce sem conseguir manter uma estratégia de enfrentamento adequada.

Em casos de criação abusiva, o desenvolvimento da representação mental desse sujeito se mostra pobre. Isso pode destruir a confiança de que outros podem compreendê-lo, além de evitar se envolver em relacionamentos de apego intenso.

olhares

CRIANÇA CRESCIDA

Nesse momento você deve estar tentando recordar sobre seu passado para saber em qual padrão você está encaixado. Embora esses modelos tendem a ser estáveis e se generalizar pra relações futuras, falamos aqui de probabilidades e toda regra tem sua exceção. Não existe relação determinista ao pensar o ser humano. Se somos seres em construção, estamos em constante transformação.

Em algum momento da adolescência, por exemplo, deverá apresentar-se mais desapegado para que, separando das figuras parentais, possam adquirir sua identidade pessoal. A reformulação sobre esse aspecto primário do apego ocorre a todo tempo, mas nessa fase passa a ter experiências mais complexas, o que serve de ‘modelo’ para a vida adulta.

À MINHA CRIANÇA, COM AMOR

Não se culpe por agir de um jeito ou de outro. Trate a sua criança com amor e respeite-a. Por mais que negue, as experiências passadas formaram quem és hoje, independente de estar ou não onde queria. Também não cabe culpar os cuidadores primários, talvez esse também seja o modelo aprendido por eles.

Compreender a própria história e ir em busca do autoconhecimento faz com que eduque sua criança interior. É através do autocuidado que poderá amar-se e satisfazer as próprias necessidades. Não cabe falar de si, reconhecer-se, e colocar o “poder” de se transformar nas mãos do outro.

Podemos, por vezes, tentar colocar nossa criança para dormir, mas ela nunca morre. E quando é preciso que você seja seguro de si, ela reaparece trazendo características tão imaturas. Buscar a autonomia deve ser uma tendência natural do humano.

abraço

ARRISQUE-SE!

É possível estabelecer relações afetivas sem depender totalmente do outro ou, simplesmente, evitá-los com medo de arriscar. Eventos durante o desenvolvimento humano podem mudar o padrão de apego ao longo da vida.

Entendo que divórcios, acesso à recursos, contexto social, patologias mentais e etc. podem ser situações que transformem, mesmo ‘sem querer’, a própria vida. Mas a partir do momento que você toma consciência de todos os fatores aqui citados, a autoridade em tentar transformar o próprio caminho é totalmente sua.

Lacan, nos ensinamentos psicanalíticos, já dizia que toda demanda é uma demanda de amor. Apesar de se mudar as figuras, há sempre uma expectativa em ser amado, cuidado e olhado de perto, mesmo por àqueles que neguem isso tão veemente.

 

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Obs: Texto inspirado pela Teoria do Apego de John Bowlby.

Referência:

DALBEM, Juliana Xavier; DELL’AGLIO, Débora Dalbosco. Teoria do apego: bases conceituais e desenvolvimento dos modelos internos de funcionamento. Arq. bras. psicol.,  Rio de Janeiro ,  v. 57, n. 1, p. 12-24, jun.  2005 .

SUICÍDIO – QUANDO A ALMA MORRE E O CORPO NÃO AGUENTA MAIS

Por Débora Porto

Hoje os números mostram que a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio sendo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS)¹ a segunda maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos. Para cada morte, há várias pessoas que tentaram ou ainda estão tentando. O suicídio é considerado, portanto, um problema de saúde pública.

Falar sobre morte, no geral, ainda é um TABU. Quando essa morte é provocada pelo próprio sujeito, o assunto parece mais delicado ainda. Porém não é por isso que devemos nos calar. Pelo contrário, devemos nos informar para assim poder contribuir com a prevenção do mesmo.

Se você está nessa situação, inicio esse texto dizendo que você não está sozinho.

PRECISAMOS FALAR SOBRE SUICÍDIO

Por muito tempo se acreditou que divulgar informações acerca do suicídio pudesse incentivar mais pessoas a cometê-lo. Hoje a ciência demonstra e, cada vez ganhando mais apoio de profissionais e público em geral, que é preciso sim falar sobre isso.

Obviamente este é um assunto sério e por isso não deve ser tratado de qualquer jeito. Mais que falar sobre, é preciso saber como falar. Isso mesmo, para falar sobre o assunto é preciso ser franco e direto, utilizando-se de termos corretos, para que não seja interpretado como um assunto desqualificado ou algo comparado a um crime.

É dessa forma que poderemos compartilhar conhecimento e discutir ações que podem ser tomadas para prevenir o ato, além de dar suporte àqueles que se encontram nessa situação. Por ser um assunto carregado de estigmas, a pessoa não encontra espaço para compartilhar as próprias angústias, o que impossibilita que ela, ao conversar, possa repensar a decisão.

irmãs

SE EU DESISTIR DE EXISTIR…

Não foi para chamar atenção. Não, também não necessariamente foi porque estava com depressão. Obviamente, esta é uma doença que afeta diretamente a existência humana, como já tratado aqui no blog. Porém, a patologização do suicídio vem a reforçar os estigmas e preconceitos contra aqueles que vêem a morte como única saída possível. As motivações para o suicídio são as mais diversas, o que o torna um fenômeno complexo e altamente influenciado pela situação no qual o indivíduo está inserido.

Reforço que é preciso considerar o tema como questão de saúde e isso o amplia, sendo simplista demais considerá-lo somente a partir de questões mentais.

Uma sociedade que nega ao sujeito a possibilidade de buscar uma melhor qualidade de vida, seja pela exclusão educacional, saúde, trabalho, etc. reforça, para alguns, a perda do sentido da vida e, consequentemente, lhe rouba motivos para viver. A própria população, no geral, supervaloriza algumas coisas em detrimento de outras e quando o sujeito não se “encaixa” nesses moldes, ele perde seu lugar no mundo.

Evitar essas pessoas faz com que os demais se blindem sobre o assunto e não precise se ocupar com os sentimentos ruins que são gerados em pensar que alguém fez a escolha por morrer racionalmente.

…NÃO PENSE QUE FOI POR FRAQUEZA

É comum em relatos suicidas um sentimento de fracasso pelos mais diversos motivos. Porém, para que uma pessoa chegue a, pelo menos tentar suicídio, identifico dois caminhos: uma opção racional, onde a pessoa decide conscientemente após pensar nos prós e contras, e uma prática impulsiva, onde sob forte sofrimento/pressão, a pessoa subitamente toma alguma atitude mais drástica que a levará à morte.

Lembrando que, na segunda opção, fica mais difícil pensar na racionalidade do ato. Isso  porque sob forte pressão, as capacidades racionais podem estar reduzidas. Não é incomum encontrar relatos de pessoas que presenciaram atos como esse que dizem que a pessoa pode ter se arrependido, porém não havia mais tempo para reverter o ato.

avó

QUERER MORRER NÃO TEM IDADE

“Mas é só uma criança”. “Quando crescer, você esquece”. “Acabou de aposentar, está com a vida ganha. Não entendi o que aconteceu”. “Adolescente é assim mesmo, adora chamar atenção”. “Isso é coisa de quem tem a mente vazia”. “Falta de Deus”… Pelo menos uma dessas, eu acredito que você já tenha ouvido quando o assunto é suicídio.

Nada disso é real. Da infância a velhice, a morte atravessa gerações. Embora algumas funções cognitivas não estejam tão bem estabelecidas nessas duas fases, principalmente, todos possuem o entendimento acerca do morrer. Não existe um padrão para lidar com as situações. As diferenças aqui merecem ser respeitadas.

QUANDO EU PENSAR NA MINHA MORTE…

Largue mão dos pré-conceitos e olhe essa pessoa com calma. Neste momento não cabe ficar preso ao discurso de culpa. Tanto do sujeito que comete ou tenta cometer suicídio, quanto àqueles que lhe são/eram próximos e estão enlutados.

Preste atenção a falas como: tenho vontade de dormir pra sempre, queria morrer, tenho vontade de sumir e etc. Elas podem ser grandes sinalizadores do que está havendo. Não desqualifique uma fala, afinal, cada pessoa encara uma situação de um jeito. E em boa parte dos casos, não é a vida que a pessoa quer retirar, mas o que lhe incomoda. A morte é um caminho possível que foi encontrado, mas o que cabe pensar é que não é o único.

O acompanhamento profissional deve ser fundamental, visto que esta poderá ser uma rede de apoio para aqueles que buscam por ajuda. O que causa sofrimento precisa ser dito e, consequentemente, trabalhado. A morte é a única certeza da humanidade. Entende-se que falar sobre também é nos colocarmos diante de nossa própria finitude, mas necessário ao nos colocarmos no lugar do outro.

        Vale ressaltar que o acompanhamento também deve ser priorizado dentre os enlutados, visto que esse tipo de morte tende a ter agravantes na elaboração do luto, principalmente por uma busca de respostas que não poderão mais ser dadas. Não tem como dizer qual morte é a pior, visto que novamente, cada tema repercute de uma forma no sujeito.

Mais uma vez, se isso lhe causa sofrimento e sensação de vazio, procure ajuda. Você não está sozinho. Conte com a gente.

liberdade

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PS: O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo de forma voluntária todas as pessoas que querem conversar por telefone, email, chat e voip. Pode ser contatado pelo número 141 ou pelo site.

¹ O posicionamento da OMS pode ser acessado aqui.

RELACIONAMENTOS ABUSIVOS – HÁ, SIM, LIMITES PARA AMAR

POR DÉBORA PORTO

Relacionamentos acontecem o tempo inteiro. Pais e filhos, namorados, amigos, profissionais, etc. Costuma-se acreditar, e que bom ser assim, que estes são fundamentais para o desenvolvimento humano. O problema é: até que ponto esse relacionamento é, de fato, saudável?

Para discutir esse tema precisamos entender, primeiramente, o que é violência. A essa altura você deve estar pensando: “ué, é quando uma pessoa bate na outra”. De fato, a violência física vem a ser a mais representativa por apresentar marcas visíveis do ato, porém não é só a isso que devemos nos apegar. A partir do momento que, dentro de uma relação, uma das partes passa a se sentir intimidada, com medo, ameaçada, baixa auto-estima, pode investigar que há violência.

ALERTA, PERIGO!

Muitas pessoas têm dificuldade em reconhecer se estão vivendo um relacionamento assim por, em sua maioria, conviverem com os sinais invisíveis. Mas, então, como fazer para reconhecer se é abuso ou não é?

Primeiramente devemos entender que isso não é exclusivo de relacionamentos amorosos. Pessoas tóxicas estão em todos os lugares e costumam dar sinais. As falas, de modo especial, são as que mais costumam deixar marcas. O tempo passa e você muda de comportamento, se sente diferente e não sabe o motivo. Aparentemente diz que não aconteceu nada, porém aconteceu, você é que não percebeu.

relacionamentos

NÃO É AMOR, É ABUSO

A primeira justificativa de uma pessoa abusiva é: “fiz/faço isso porque te amo, gosto de você e quero seu bem.” “Não quero as pessoas pensando mal de você ou da gente.” “Vão achar que eu sou o quê?” Isso parece familiar? Obviamente devemos separar aqueles que se preocupam conosco e aqueles que só querem nos rebaixar. Listarei abaixo algumas situações típicas de relacionamentos abusivos que podem ter passado despercebidas, mas merece atenção.

SITUAÇÃO 1

Imagine que esteja entrando na fase adulta, conhece uma pessoa legal e precisa apresentar aos pais. De cara, a família nega. Lá vem a enxurrada de frases: “só não queremos te ver sofrer”, “é para te proteger”, “ele/ela não presta”. Infelizmente nem sempre é somente visando à proteção que isso ocorre. O que fica mais evidente é uma necessidade de controle da vida do outro e que escapa a sua mão.

Com as meninas isso se torna mais evidente. A filha obediente e controlada é o que é imposto à mulher desde criança, como discutido em texto anterior. Assim acontece quando as pessoas vão interferindo na decisão do outro em uma escolha profissional, por exemplo. A demonstração de poder através do “eu que tô pagando”, “está debaixo do meu teto”, etc.

SITUAÇÃO 2

Você conseguiu se formar e está trabalhando na área. Surgiu uma nova proposta de emprego, mas precisará que reajuste seus horários. Você desabafou com o(a) amigo(a) e ele(a) diz: “pra quê mudar se você já trabalha? Não acha que está sendo ingrata? Como faremos aos finais de semana? Não sairemos mais? E quem vai me dar carona de volta?”. Situações como essas são típicas de amizades abusivas. A pessoa não visa o teu bem, mas os interesses próprios. Tudo o que é relacionado a você é colocado em segundo plano e sua amizade resume-se a servir. Na verdade, você só terá esse amigo enquanto lhe for útil.

SITUAÇÃO 3

Você namora. Tem todas as redes sociais possíveis e gosta de se manter atualizada(o). Tem quase um mês que não faz postagens e decidiu colocar uma selfie sua. A partir daí começa: “porque não coloca uma foto nossa? Quem você não quer que saiba que estamos juntos? Nunca mais fez uma declaração pra mim. Quem é fulano que tá curtindo a foto? Pra quê esse tanto de gente te seguindo?”.

Não para por aí. Vocês brigaram: “você acha que encontrará alguém melhor que eu? Vai morrer sozinha(o).” Se decide trabalhar fora de casa: “porque isso agora? Está te faltando alguma coisa? É dinheiro que você quer?”. Você até acha que consegue ter uma vida fora de casa, mas…: “o que quer conversar com as amigas? Fale comigo. Você não sabe lidar com dinheiro, deixa que eu controlo. Pra quê ir ao salão de novo? Quer ficar bonita (o) pra quem? Vai sair de novo? Eu não tenho mais lugar na sua vida. Não quer transar porque? Essa roupa tá muito curta/decotada. Isso não é coisa de mulher direita. Você não vai, só se eu for junto. Me dá suas senhas (app, banco, cartão, celular)? Pode dançar, mas só comigo.”

relacionamentos

RELACIONAMENTOS E PSICOLOGIA

Hoje em dia há uma grande demanda nos consultórios devido a relacionamentos. Isso porque o estresse, baixa autoestima e demais sintomas começam a ser desencadeados no sujeito e ele passa a questionar a própria sanidade mental.

Isso quer dizer que procura atendimento por não saber o que fazer, não saber o que está acontecendo, por estar com depressão, crises de pânico e etc. “sem razão alguma”. À medida que a investigação desenvolve, descobre-se a enorme probabilidade de estes aparecerem devido a relacionamentos e que passaram despercebidos. É comum ouvir algo como “sempre foi assim. Os homens/mulheres são todos iguais. Eu tenho o dedo podre mesmo. Ninguém gosta de mim. Pensei que era uma pessoa boa, mas só me decepcionei…” que só servem para reforçar o modo de se relacionar aprendido e que estabeleceu um padrão.

QUANDO A(O) ABUSIVA (O) É VOCÊ

Os padrões passam a ser repetidos e se torna comum para você se tornar uma stalker das redes do(a) parceiro(a), não deixar sair com os amigos, xingar, ter um ciúme obsessivo, chantagear com a desculpa de ser amor, mas não.

Insegurança em relacionamentos se torna comum por ser uma situação em que não terá controle sobre o outro e o que vai acontecer, mas dessa forma se torna algo insuportável em permanecer envolvido.

O problema se torna crônico porque, em grande maioria, as pessoas deixam de viver as próprias vidas para cuidar do outro que nem pediu para ser cuidado. Passam a depositar no(a) parceiro(a) uma responsabilidade em suprir o que lhe falta que não o cabe. Mas falta de quê?

AMOR… O PRÓPRIO

Devemos reconhecer que somos seres faltantes. Vivemos em busca de algo (utópico) que vai nos preencher de forma completa (?) para sempre (???). Porém isso não existe e por isso demandamos tanto do outro. É claro que não se pode perder de vista a relação de poder entre os sexos (e aqui cito claramente o machismo) e uma necessidade de dominação para satisfazer o próprio ego numa tentativa frustrada de esconder as próprias fragilidades.

Lacan dizia que toda demanda é uma demanda de amor. Vivemos uma busca incessante por ser amado e com isso ser aceito pelos outros. Algumas pessoas se sujeitam à situações extremas para não perder minimamente o ganho (mesmo imaginário) dessa relação. Se sentir sozinho, sem amigos, etc. acaba sendo mais doloroso.

relacionamentos

E AGORA?

As razões aqui citadas podem fazer com que seja muito difícil sair de uma relação assim ou se impor quando necessário. Gera angústia se ver em uma posição “sem saída”. Por isso um acompanhamento psicológico adequado auxilia o sujeito a tornar clara questões antes não percebidas e que o levará a se tornar cada vez mais consciente dos processos a que foi submetido(a) ao longo da vida.

Tudo isso envolverá uma disposição do sujeito em se perdoar, se permitir sentir determinadas coisas, encontrar as próprias qualidades, descobrir-se de modo geral. Buscar o que faz sentido para você é o caminho de autocuidado, um “carinho em si mesmo”. Não terceirize aquilo que só você pode fazer por, para e com você.

Reinventar-se é uma habilidade a ser dominada. Deve seguir, sim, sem excesso de bagagem trazida pelo outro. Você não precisa passar por tanta coisa sozinho(a). Eu sei, dói sentir-se assim, mas podemos falar mais sobre isso.

 

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FILHOS QUE NÃO VIVEM AS EXPECTATIVAS DOS PAIS

Por Débora Porto

filhos

 

Falamos na semana passada sobre pais que sonham o futuro dos filhos que nem sempre se concretizam. Agora é importante, então, observar que há outro lado dessa história, o dos filhos. Sob essa perspectiva, convido vocês a observarem como essas situações repercutem na vida deles.

Primeiramente, tomamos aqui a figura dos pais/cuidador como a de uma autoridade. São eles que durante o crescimento ditaram as regras e tomaram as decisões necessárias. Na maioria das vezes é possível que os filhos tenham tido os impactos minimizados e puderam crescer sem se preocupar com tantas tensões.

MAS OS FILHOS CRESCERAM

Começou a fluir tudo o que desejam para a própria vida e os valores passados. Seguir os próprios passos não é tão fácil assim. Por muito tempo tiveram quem fizesse isso por eles, agora são chamados a uma nova realidade. Os filhos também assumem novos papéis. Mais que isso, o que querem pode não corresponder à vontade dos pais/cuidadores. Com isso, vem o medo da decepção. Pior, vem a insegurança.

O MONSTRO DAS INCERTEZAS

Existe aqui a preocupação em deixar os pais tristes como também a incerteza sobre ter tomado “a decisão certa”. Tudo até aqui deu certo porque havia apoio. Caso não desse certo, haveria “colo” para se recuperar e seguirem frente.

Chegou a hora de colocar tudo isso em jogo. A instabilidade também os afeta, porém, se torna extremamente necessária. É através disso que os membros dessa relação poderão descobrir novas habilidades. Mais que isso, descobrirão ser capazes de passar (e superar) coisas inimagináveis.

mae-filha

O QUE NÃO ME CONTARAM SOBRE CRESCER

Primeira verdade: crescer dói. Sim, é muito mais fácil ter quem enfrente a vida por nós. Mas aqui vai um toque: mesmo que venha a doer, nada é mais gratificante do que fazer as coisas por si mesmos. Em algum momento da vida você precisará se colocar em primeiro lugar. Muitos querem que você seja muita coisa, mas e você? O que você quer? Essa é a questão chave do crescer.

O desconforto por ser desafiado pela vida é normal. O que não pode ser possibilidade é desistir daquilo que se quer por medo. Tudo o que se faz ou decide pode dar errado, mas também pode dar certo. Arriscar faz parte e muitas vezes é mais vantajoso do que pagar “pelo benefício da dúvida”.

RECONFIGURANDO OS PAPÉIS

Como havia dito no texto anterior, os pais de filhos crescidos acabam assumindo um papel muito mais forte de parceria do que de superioridade como era com filhos pequenos. É chegado a hora de confiar nos valores e educação passados.

Não existe mais tempo para permanecer agarrado à ideias de frustração pelos filhos que não seguiram os caminhos que vocês sonharam. A vida passa e está, inclusive, acontecendo enquanto você lê esse texto.

A energia depositada em murmurar por esse caminho diferente do esperado não trará recompensas. Eles serão gratos por tudo o que já fizeram e poderão ficar muito mais felizes em saber que terão os pais/cuidadores como o “colo” que sempre poderão retornar se o fardo das escolhas forem pesados demais.

RESPEITANDO AS LIBERDADES

Por mais que não queira, todos são livres (na medida do possível). Isso quer dizer que não haverá controle absoluto sobre o outro. Encorajar, apoiar e incentivar os filhos quando pequenos facilita o desenvolvimento da autonomia e fortalecerá os laços enquanto crescidos.

O lugar que os pais/cuidadores ocuparão na vida (e no coração) dos filhos será resultado do que vieram construindo ao longo dos anos.

Faz parte os filhos saírem de casa. Tudo bem se casarem, ter filhos, mudar de cidade. Pode ser que queiram seguir carreira acadêmica ou investir no próprio negócio. Pode ser que queiram mil coisas. Eles ainda assim saberão que vocês existem. A angústia pela separação dos filhos (real ou simbólica) é compartilhada.

pai-filho

ACIMA DE TUDO QUERO QUE SEJA FELIZ.

É ser egoísta achar que somente os mais velhos se importam e os filhos só pensam em si. Os filhos sofrem por os verem sofrendo. Nunca foi a intenção os decepcionarem. Pelo contrário, muitas vezes eles passaram a vida tentando os agradar. Mas é preciso entender que a vida é deles e parafraseado Caetano Veloso, eles são quem saberão a dor e a delícia de ser o que é.

Se a vida, aos poucos, vai mostrando que é dura, com um alto grau de dependência o preço a ser cobrado mais tarde será muito mais caro.

Demonstrem apoio. Mostrem que só querem que seja feliz. Tudo bem não seguirem o caminho que sonharam e tudo bem também se tudo estiver dando errado. É possível recomeçar, desconstruir e reconstruir o tempo inteiro. Senão, os filhos permanecerão vivendo a angústia em não saber o que fazer. Entre escolher por si ou pelo outro, logo um outro tão amado. Lembrem-se pais/cuidadores: vocês não estarão aqui para sempre. Não foram vocês mesmos que, muitas vezes, os encorajaram a responder a pergunta “o que você quer ser quando crescer?”. Nesse período eles mal sabiam responder, mas no fundo, a única resposta viável é: feliz.

Filhos sejam gratos, mas não deixem de mostrar o limite aos pais. Sim, eles não devem ocupar ou fazer mais nada além do necessário e isso não engloba viver sua vida. Os lugares devem ser claros, assim os papeis serão também. Investir energia em sonhar junto se torna mais vantajoso que lamentar sozinho.

O ninho não se torna vazio por isso. As separações ocorrem a todo tempo e mesmo assim vocês ainda se pertencem. Porque, talvez, ninho nunca tenha sido um lugar físico, mas o coração. Seguir o próprio caminho, por mais doloroso que seja, não é só opção, mas deve ser prioridade.

 

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NOSSOS FILHOS NÃO SÃO NOSSOS!

Por Débora Porto

filhos

Há alguns dias atrás colocamos uma postagem no Facebook da Clínica de mesmo título e teor. Algumas pessoas se identificaram com o que estava escrito, então vamos falar um pouquinho mais sobre os filhos aqui também.

O nascimento dos filhos, por vezes, é um momento esperado por toda família. Não é difícil, então, ouvir relatos de pais que sonham com o futuro do filhos. Seja seguirem a mesma profissão dos pais, serem concursados, estudar outra língua ou dar continuidade aos negócios da família. A lista é infinita e desde pequenos, dentro de suas possibilidades, começam a moldá-los para a “carreira de sucesso”.

 

TINHA TUDO PRA DAR CERTO

 

Exatamente. As idéias eram brilhantes. Os sonhos dos pais foram construídos com amor, já podiam sorrir orgulhosos só de imaginar tudo isso se tornando realidade. Só tem um “porém”: os filhos cresceram e você, pai/mãe/cuidador, não esperava que eles aprendessem a dizer não. Mais que isso, eles começam a apresentar novas propostas e gostos diferentes. E não para por aí: batem de frente e colocam em xeque a história construída antes mesmo deste indivíduo nascer.

Assim que a criança nasce, é cortado dela o cordão umbilical. Há uma separação física da mãe. O que acontece nesse momento é a necessidade de um corte simbólico para reconhecimento deste indivíduo. Chega um momento onde é preciso reconhecer, então, que este outro é OUTRO. Isso quer dizer, portanto, que suas vontades podem não corresponder a dos pais e/ou outro familiar. Sabe o que mais? Está tudo bem por isso.

 

EXPECTATIVA X REALIDADE

 

Nós sabemos que você “só quer o melhor pra ele/ela”. Acreditamos e reconhecemos isso como uma verdade. O que inquieta aqui é: alguém perguntou para ele o que é melhor para si? Provavelmente a resposta é negativa. Muitas vezes os pais até sabem responder o que o filho quer, mas gagueja quando pede pra que ele justifique os motivos.

Durante muito tempo os pais/cuidador exercem uma função soberana de liderança. Suas vozes foram tão fortes dentro de uma relação e, às vezes, chegou a ser tão alta que, simplesmente impediu que seus ouvidos escutassem a voz do outro. Eu sei, vocês já têm até certo apego a estes papéis. Acontece que esse modelo, uma hora, passará a ser insustentável.

 

E AGORA, O QUE É QUE EU FAÇO COM MEUS FILHOS?

 

Primeiramente precisamos deixar claro duas coisas: nem tudo está perdido e não precisa se sentir culpado(a). Desapegar dessa função mais “dominadora” para assumir novo papel é algo que todos precisarão fazer. Pense que a todo tempo estamos fazendo isso: assumindo novas funções. Nesta relação não poderia ser diferente.

Aqui os pais ou cuidadores já não devem ser tão dominadores, mas assumir um papel mais próximo da amizade, tutela. Isso não significa que você será o “best” dos filhos e deixará “as coisas correrem soltas”. Você ainda é figura de autoridade, mas eles precisam exercer a autonomia. Lembre-se: você não estará aqui por eles para sempre!

Algumas coisas, por mais que fale, seu filho (a) só aprenderá vivendo. Dias difíceis são necessários e trarão lições valiosíssimas. Ou vai me dizer que tudo na sua vida foram flores? Eu sei que isso pode ser angustiante. Ninguém gosta de ver quem amamos num dia mal, mas ele encontrará recursos próprios para superar isso. É só uma fase.

 

FALAR É FÁCIL, QUERO VER NA PRÁTICA.

 

Ousem praticar o exercício da escuta, vocês já falaram demais. Não, não queremos pais passivos. Mas só o fato de ouvir por um tempo já demonstrará várias coisas ao teu filho. O quê? Vou dar exemplos:

  • ele é importante.
  • dentro desta casa e nessa relação ele tem seu lugar.
  • o que ele diz não é bobagem ou só coisa de cabeça jovem
  • ele é encorajado a formular e expor as próprias opiniões
  • você estará ali por ele. Ele poderá contar contigo. (É sempre bom ter um colo para recorrer).
  • aqui ele é respeitado.

Não pense que acaba por aí. Da mesma forma que ele tem espaço para expor, você também poderá fazer isso. Olha que mágico o que está surgindo: UM DIÁLOGO. Sim, esse é o melhor caminho. Você está ali por ele e ele por você.

 

OK, MAS VOCÊ MESMO DISSE QUE NEM TUDO SÃO FLORES.

 

Verdade. Tudo é questão de arriscar. As evidências demonstram que esse caminho é viável para alcançar bons resultados, mas não significa que isso será simples. Qual seria a graça da vida se tudo fosse simples demais? Insisto em dizer: a beleza das coisas se encontram no caminho.

São nestes momentos que descobrimos novas maneiras de ser/estar no mundo. Ensinaremos aos mais novos que nem sempre querer é poder. Aprenderemos novas versões de nós mesmos. Ensinaremos que podemos ser melhores sempre e eles acreditarão nisso porque você foi exemplo. Mais que ter orgulho do sucesso, teremos orgulho de que eles acreditaram, pagaram o preço e alcançaram, assim esperamos, a vitória que desejavam.

Tá tudo bem se queríamos que fossem médicos e se tornaram engenheiros. Se queríamos que passasse no concurso e investiram na iniciativa privada. Ok se o sonho é ser professor. O caminho não é seu, é dele. Abrir mão é necessário. Aprendam a compartilharem os sonhos. De repente, bater de frente não será mais tão vantajoso a ele, ser ignorante também não. Você não tem o controle de tudo e se nunca te contaram, eu digo: você nunca teve, mesmo que tenha acreditado no contrário.

Não reclame pelo que não foi conquistado, mas agradeça pelo que já está colhendo. O mundo já é exigente demais. Não permita que seja apagado do seu filho a capacidade de sonhar. Talvez ele esteja tendo agora a coragem que lhe faltou no passado. Aproveite isso. E tá tudo bem.

 

WE CAN DO IT! – SUPERANDO O COMPLEXO DE CINDERELA

Por Débora Porto

Era uma vez, num reino tão, tão distante (ou na capital do Estado mesmo) uma mulher chamada Cinderela (Maria, Joana, Ana, Valentina, Patrícia e etc.). Vinda de uma família onde o pai possuía muito dinheiro (ou nem tanto assim, mas é a figura de liderança da família – marido, avô, irmão, tio) que acaba falecendo (abandonando o lar, se separando ou só cobrando que a mesma seja independente agora que cresceu) e deixa a filha (esposa, neta, irmã, sobrinha) aos cuidados da madrasta e irmãs (aqui pense na sociedade como um todo).  

A jovem, se sentindo desamparada e despreparada (porque nunca ninguém disse ou ensinou que ela poderia ser independente) acaba sofrendo nas mãos da família (sociedade) e tendo a vida resumida aos cuidados domésticos (ou precisando procurar emprego, buscar uma qualificação acadêmica, etc.).

Num belo dia ela descobre que haverá um baile (balada, barzinho, etc.) onde todas as jovens são convidadas para participar e o príncipe escolherá sua esposa. Todas comparecem e a pobre moça não foi autorizada a ida (falta grana, não tem muito tempo, tá com problemas com a autoestima). Porém, de repente, aparece uma fada madrinha (ou aquela amiga que topa uma volta no shopping pra comprar uma roupa que vá chamar a atenção dos homens, independente de ser ou não confortável para você – vale sacrifícios – ou até mesmo empresta uma roupinha dela) que resolve todas as questões que a impediam de sair.

A jovem comparece ao evento, consegue se divertir, ainda que de modo recatado (chamar atenção não faz parte das boas maneiras de uma dama ou talvez não esteja acostumada em sair) e vai embora. O príncipe durante a semana resolve ir atrás dela (pode ser pelas redes sociais também). Ele a encontra e, ao se apaixonarem (ou não), casam e são felizes (?) para sempre. Assim ela está a salvo da vida de humilhações ou de esforço excessivo para manter o próprio lar (leia-se a própria vida e as contas em dias).

O COMPLEXO DE CINDERELA

Foi assim que Colette Dowling nos anos 80 e vivendo nos EUA, ao se deparar com a necessidade de cuidar de si e dos filhos sozinha após uma separação, percebeu um fenômeno o qual denominou “Complexo de Cinderela”. Isto é: a capacidade da mulher de rejeitar inconscientemente as responsabilidades e atribuir o êxito de sua vida a um acontecimento externo ou a alguém. Este, cuja presença será para livrá-la dessa necessidade de se manter dona da própria vida.

Estranho em 2018 repetir essas palavras com tantos avanços e espaços conquistados pela mulher. Principalmente no mundo profissional e acadêmico, sendo elas muitas vezes a provedora da casa, com ou sem marido. Acontece que não é difícil ouvir o discurso de mulheres que conseguiram conquistar diversas coisas, mas ainda não se sentiram realizadas por não possuírem maridos ou alguém que exerça essa função de segurança. O quanto se torna forte o sofrimento por ter “fracassado” nessa missão confiada a ela.

ROMPENDO COM O PADRÃO

E quem foi que disse que a sua felicidade, mulher, depende do outro? Sentir-se bem e realizar-se em diversas áreas  são tarefas que só competem a si mesmas, sem a necessidade de terceirizá-la. Como no conto, pode ser que a pessoa que exercia a função de segurança não esteja mais presente. A vida exige que coloque em prática as múltiplas facetas de ser humano para garantir a própria sobrevivência. Não dá para “se virar” por enquanto até alguém (príncipe) aparecer para salvá-la. Já pensou se esse alguém não chegar? A liberdade de ser o que quiser pode assustar aquelas que não foram ensinadas sobre a possibilidade de serem independentes. Porém não deve, em hipótese alguma, ser um fator de paralisia ou de sensação de fracasso.

LUGAR DE MULHER É ONDE ELA QUISER

Se, por acaso, existe em sua vida a necessidade de estar com alguém a qualquer custo para sentir-se ‘completa’, desconfie. Obviamente as relações exercem funções importantes na vida do ser humano, mas não podem ser estabelecidas baseadas na dependência. Não somos propriedade de ninguém além de nós mesmas. O caminho no qual percorremos é onde reside a beleza da vida. Escolha. Tome as próprias decisões. Decida se quer ou não casar-se com um parceiro ou parceira um dia, se deseja ou não ter filhos. Não é errado desejar ter a própria família. Mas faça isso por você e assuma o papel de responsável dentro desta relação. Não sobrecarregue o outro em ter de dar conta das próprias questões e das tuas também. Saia, vá a bailes, divirta-se por, para e com você, não faça dessa busca o fim ultimo de tua vida.

Encoraje nossas crianças a amarem-se. Por muitas vezes tentam nos encaixar em moldes de uma “mulher ideal”. Então, rebele-se, acima de tudo, respeitando as próprias vontades. Aprenda a conversar sobre sexo com a mesma naturalidade que fala da necessidade de alimentar-se. Permita-se. Descubra-se. Desconstrua e reconstrua-se quantas vezes forem necessárias. Empodere-se. Ocupe, sonhe e vá onde quiser. Se nunca lhe disseram, escreva tua própria história. Você pode muito mais que um conto de fadas. Por fim e, acima de tudo, tenha orgulho de ser quem és, você lutou para isso.

“É preciso ter coragem para ser mulher nesse mundo. Para viver como uma. Para escrever sobre elas” (Think Olga)

mulher

Como melhorar a saúde mental das mulheres?

As mulheres estão enfrentando atualmente um paradoxo quando se trata de seu bem-estar. Externamente, eles se destacam em vários campos (educação, esporte, ciência e política), entretanto, os números indicam um aumento dos casos de ansiedade e de depressão.

Então, o que pode ser feito para ajudá-las a se sentir bem consigo mesma? Ou seja, como melhorar a saúde mental das mulheres?

Vivemos em um mundo desafiador, onde a competição pelo “ter” faz com que as mulheres lutem para “ser” figuras socialmente perfeitas (mulher+mãe+profissional+companheira), o que acaba gerando quadros graves de aflição e desconforto psicológico. Cada vez mais estão sendo obrigadas a serem a Mulher-Maravilha da resiliência, tendo que aumentar capacidade de se adaptar aos desafios da vida. Se obrigando a ter flexibilidade, otimismo, competência, gestão emocional e auto-estima elevada.

Mas como enfrentar o medo de não conseguir tal perfeição?

Com certeza, construindo bases que proporcionem uma real coragem mental, intelectual e emocional. E a Terapia Psicológica é um espaço privilegiado onde é possível construir essa base. Uma pessoa corajosa teme o que deve ser temido, mas confia em sua potencialidade quando se autoconhece. A Psicologia entende coragem mental como o comportamento de pensar em novas idéias e ter a coragem de implementá-las enfrentando as consequências, e focando suas energias em pessoas ou em situações realmente relevantes.

Entretanto, a resiliência (conseguida através do início de um processo terapêutico) por si só não impedirá o sofrimento psicológico. É crucial buscar apoio especializado e constante para um maior controle de si mesma. Ao fornecer serviços de saúde mental acessíveis, em conjunto com o foco em impulsionar a adaptação aos desafios da vida moderna, vislumbramos que as mulheres se tornarão mais resilientes e mais saudáveis psicologicamente falando.

Se você nunca fez Terapia ou quer retornar a um atendimento Psicológico. Convidamos a conhecer um dos terapeutas da Innere Psicologia.

10 formas diferentes de dizer: Eu te amo!

 

O que você pode fazer para comunicar e mostrar ao seu parceiro que você o ama? Experimentamos o amor de maneiras diferentes, alguns querem carinho, outros precisam ouvir um “eu te amo” e, para outros, as ações falam mais que palavras.

Aqui estão 10 dicas e maneiras diferentes de mostrar o seu amor:

 

 

1. Pratique pequenos atos aleatórios de bondade com seu parceiro 

Quando seu parceiro precisa de uma pequena ajuda, apenas ajude. Se ele está muito cansado para andar com o seu cachorro ou organizar a casa, o ajude na tarefa e mostre que você se importa com o bem estar dele.

2. Mande mensagens de carinho

Com o advento das redes sociais, é possível ficar próximo de quem você ama. seja cuidadosa e não exagere, mas envie pequenas mensagens relembrando o quanto outro é importante.

3. Faça coisas agradáveis ​​sem motivo

Atos agradáveis aleatórios, como preparar um café da manhã ou dar um presente, mostram para a outra pessoa o quanto você a ama.

4. Faça todas as pequenas coisas que você fez quando estavam só paquerando

Lembre-se do início do namoro, quando você fazia pequenas coisas que deixavam o seu parceiro encantado? Faça sempre que puder!

5. Peça ao seu parceiro para lhe dizer o que você faz que o encanta

Proporcione o que você tem de melhor ao outro.

6. Seja gentil com os amigos e familiares do seu companheiro 

Uma maneira de dizer “eu te amo” é ser agradável com as pessoas que são importantes para o seu parceiro. Aceitá-los fará bem para o seu relacionamento.

7. Seja empático e escute o seu parceiro

Não há nada melhor que você pode fazer do que ouvir quem você ama, quando ele tem um problema e quer falar sobre isso.

8. Vá para a cama uma hora mais cedo 

Aproveite esse momento, coloque a conversa em dia, abrace, beije, demonstre o seu carinho.

9. Dê pequenos presentes 

Mostre que você pensa nele com pequenas e baratas ações.

10. Dê abraços e beijos espontâneos 

Ser carinhosa ao longo do dia é uma ótima maneira de mostrar a alguém que você se importa.

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